O Suicida e o Violão
O cara acordou se sentindo fraco, sozinho num mundo de injustiças, sem heróis sem crenças, e sem esperança, pensando em cazuza dizendo "meus heróis morreram de overdose... meus inimigos estão no poder!" procurando um motivo para sentir se vivo, mas lembrando da história banida "SHOOT" estrelada por Constantine, onde garotos sem expectativa de futuro sem fé sem esperanças atiram uns contra os outros que se deixam balear quase implorando para serem os próximos justamente por que todas as conquistas já foram feitas, o espaço o espelho e o infinito, onde num mundo sem fé buscamos em vão, heróis na humanidade.
Ele vai até a sacada do apartamento olha para baixo e procura motivos para não pular, olha o movimento dos carros e pessoas lá embaixo movendo-se com pressa, pensa em como de seu ponto de vista todos parecem brinquedos em uma guerra, volta à realidade e sobe no parapeito, ninguém olha para cima. Realmente não é como nos filmes, ele pensa, ninguém vai aparecer e me impedir de pular, se eu me atirar daqui ninguém sentirá minha falta, olha para dentro vê o violão, desce da sacada vai até ele coloca um banquinho na sacada se senta e tenta alguns acordes. Ninguém irá ouvi-lo, escreve algo num papel e canta a esmo para a sacada, para a rua lá embaixo.
Ninguém o escuta, dentre a parede de poluição auditiva as notas suaves e melancólicas de seu violão não ultrapassa a barreira criada pelos carros e pelos mp3 e outros equipamentos sonoros de qualidade duvidavel. Termina a canção enrola o papel com a letra torna a subir na sacada e quando vai tomar um impulso para o salto ouve um não, olha para o lado e a vê, ela traja uniforme de empregada e neste momento mesmo com a feição alterada pelo medo, ele vê nela uma beleza única! Ela diz que pelo amor de Deus não pule, e que ela não agüentaria vê-lo morto depois de ouvi cantar a mais linda canção que já ouvira na vida. Ele lhe sorri e desce da sacada pega o violão e volta a tocar... Ele não a vê, mas sabe que através de sua musica vai ser visto por ela, para sempre, e isso já lhe basta!